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As Gueixas no Japão

 

Na Era Edo (1603 – 1867) a sociedade no Japão era feudal e rígida. O controle do governo atingia em especial as mulheres, que só podiam exercer os papéis de mãe, esposa e dona de casa.

 

A falta de opções de profissões para as mulheres foi agravada em 1629, quando por lei, o teatro passou a ser uma atividade proibida às mulheres. Isso porque na origem do teatro kabuki, os atores eram na maioria mulheres. Porém, muitas dançarinas de kabuki se prostituíam e escândalos de samurais envolvidos com elas foram a causa da proibição de 1629.

 

Impedidas de praticar atividades de entretenimento em público, os palcos foram rapidamente ocupados por homens travestidos, para substituir a presença feminina em cena. A palavra geisha significa literalmente “pessoa da arte, artista”, e ela foi originalmente usada para designar comediantes e músicos que se apresentavam em banquetes e festas particulares no século 17. Assim, as primeiras gueixas não foram mulheres, e sim homens!!!

 

Os otoko-geisha (artistas masculinos) eram especializados em entreter pequenas platéias em festas, dançando, cantando contando histórias e piadas. Como os palcos estavam proibidos às mulheres, as festas privadas tornaram-se os únicos lugares onde as mulheres podiam tocar música, dançar e cantar, e assim surgiram as onna-geisha (artistas femininas).

 

Entretanto, aquela era uma época em que a atividade artística e prostituição se confundiam. Donos de casas de chá ofereciam suas funcionárias, que de dia eram arrumadeiras e garçonetes, mas à noite eram prostitutas. Isso fez com que a clientela confundisse as dançarinas com as gueixas, o que causou uma grande confusão.

 

Mas no século 18, medidas do governo surgiram para oficializar e regulamentar a prostituição, o que foi bom porque acabou distinguindo as prostitutas das gueixas.

 

A palavra gueixa significa "artista". São mulheres que precisam estudar e se preparar por muitos anos antes de se tornar uma gueixa propriamente dita. Elas são muito cultas, informadas e falam vários idiomas. Aprendem regras de etiqueta, falam baixo, são delicadas, finas e elegantes. Elas têm muitas habilidades: cantam, dançam, recitam versos, tocam instrumentos musicais e entretêm os clientes conversando sobre vários assuntos.

 

Elas não trabalham com sexo! Gueixa não é prostituta! Temos essa idéia totalmente errada por causa da invasão americana no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Os soldados se divertiam com as prostitutas que se passavam por “gueixas”, coisa que na verdade elas nunca foram, por causa da formação e coisa e tal. E como os soldados não tiveram contato com as gueixas verdadeiras, infelizmente levaram para o ocidente uma idéia totalmente errada e destorcida, uma imagem que associa as gueixas com vulgaridade e a “má conduta”. É uma pena, porque na realidade não é assim não!!!

 

No Japão elas trabalham em Casas de Chás requintadas e caras. Quando são contratadas para eventos privados, as gueixas cobram como se fosse um cachê artístico e não é barato! Quem contrata uma verdadeira gueixa geralmente são clientes ricos que valorizam a cultura tradicional japonesa. Na sociedade japonesa, a gueixa é objeto de admiração e respeito. Elas dão status aos lugares que vão e às pessoas com quem se relacionam – um status que é mais ligado à tradição que à moda.

 

Não existem muitas gueixas verdadeiras no Japão. Ver uma gueixa verdadeira andando pelas ruas é coisa rara! Mas por que então vemos tantas por aí? A resposta é simples: nem todas que vemos é uma gueixa mesmo! Existe diferenças entre Gueixa e Maiko! O que vemos com mais frequência são as maiko.  

 

A maiko é uma aprendiz de gueixa. Ela ainda está aprendendo e treinando suas habilidades, para mais tarde ter sua cerimônia Erikae (mudança de colar) em que se tornará uma gueixa de verdade. 

 

Existem regras para distinguir a gueixa da maiko. Tudo na maiko indica a sua imaturidade e jovialidade, enquanto que numa gueixa o que ressalta é sua maturidade e reserva. 

 

As maiko usam cores fortes e vivas. As gueixas usam branco e cores mais suaves em tons pastéis.

 

 

A maiko usa kimono de mangas bem longas. Já a gueixa usa mangas curtas, porém o comprimento do kimono é tão longo que chega a arrastar no chão quando ela anda, tipo uma cauda.

 

A maiko usa amarrações apertadas por debaixo do kimono para achatar sua silhueta. Já as amarrações da gueixa são para favorecer suas curvas.

 

A maiko faz o coque com o próprio cabelo. A gueixa usa uma peruca com o coque já pronto. 

 

O tamanco da maiko é tão alto e inclinado, que ela precisa treinar muito como andar nas ruas para não cair. Mas o tamanco da gueixa é baixo e reto!

 

Maiko.

 

 

Gueixa.

 

 

Mas a grande diferença entre elas mesmo é O BATON!!! 

 

Uma maiko quando começa o seu treino não pode cobrir por inteiro seus lábios de vermelho. À medida que vai evoluindo no aprendizado, vai pintando aos poucos, até preencher a boca toda. Já a gueixa tem os lábios completamente pintados, o que indica seu status de mulher formada e com vasto conhecimento das artes.

 

Maiko.

 

 

Como o baton vermelho é forte demais, algumas gueixas pintam os dentes de preto para diminuir o contraste!!!! Ou preferem não sorrir mesmo, só de leve, bem sutilmente. 

 

Na cultura antiga do Japão, usava pintar os dentes de preto como sinal de status social (vejam só que horror!). Mas isso caiu em desuso (ainda bem!) e hoje em dia, esse costume só é mantido mesmo por atores de teatro e pelas gueixas.

 

 

 

Apesar de todas as diferentes regras de vestimenta, pelo menos uma coisa elas têm em comum. As duas usam na parte de trás do pescoço um desenho chamado "duas pernas" pintado de branco com a mesma maquiagem usada no rosto, deixando apenas um pedaço da cor da pele exposta. Dizem que é um símbolo erótico, como se fosse a genitalia feminina... Exibir o pescoço é uma coisa muito sensual para os japoneses, e mostrá-lo dessa maneira é uma das características mais marcantes das maiko e das gueixas.

 

 

Uma última curiosidade: O jeito correto de se amarrar um quimono é sempre transpassando o lado esquerdo por cima. Só se usa o lado direito por cima quando a gueixa morre e é vestida para o caixão.

 

 

** Um belo filme para ser assistido é o "Memórias de uma Gueixa". Veja o trailler www.youtube.com/watch?v=5RdZgNzcKbw

 

 

 

MADAME BUTERFLY

 

Em 1904, o compositor italiano Giacomo Puccini criou a ópera “Madame Butterfly”. Inspirada num caso verídico, a ópera conta a trágica história de uma gueixa, Cho-cho (“borboleta” em japonês), que se apaixona por Pinkerton, oficial da marinha americana em missão no Japão. 

 

Acreditando ser esposa de Pinkerton, ela tem um filho mestiço e passa a sofrer o preconceito dos japoneses. Ele é chamado de volta aos Estados Unidos, e acreditando nos democráticos valores com que seu amado descrevia o ocidente, Cho-cho aguarda seu regresso ao Japão na esperança de ir viver com ele e seu filho na América. 

 

Mas Pinkerton volta casado com uma americana e deixa Cho-cho, que acaba se matando. Até hoje extremamente popular, “Madame Butterfly” não apenas tornou Cho-cho a gueixa ficcional mais famosa do mundo, como também serviu de inspiração para filmes e outra peça de sucesso 80 anos depois: o musical “Miss Saigon”, de Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg.

 

Momentos finais da história: "Pinkerton retorna com sua esposa e vai à casa visitar Butterfly para dizer a ela que levarão seu filho. A tragédia se instala quando Cio-Cio-San diz que somente à Pinkerton entregará o filho e que ele deve buscá-lo. Sozinha, Butterfly retira de seus guardados um punhal do pai onde lê a inscrição “Morre com honra, quando for impossível viver sem honra”. 

 

Butterfly pede que a deixem a sós com o filho. Ela o beija ternamente e pede-lhe que nunca se esqueça da sua mãe japonesa. Venda os olhos do menino, dá-lhe uns brinquedos para que brinque, e enfia a faca no ventre matando-se em seguida. Pinkerton chega e ao vê-la morrendo chora angustiado, e pronuncia seu nome três vezes..."

 

 

Ana Cassiano

Morei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.