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Passeio de Barco no Rio Negro - Amazônia

O Rio Negro é o rio da Amazônia que banha Manaus. Ele é enorme e importantíssimo para toda a região. Tem partes que a gente nem consegue enxergar a outra margem a olho nu. É muita água gente! Em Manaus o Rio Negro encontra com o Rio Solimões e esse encontro de águas forma o Rio Amazônas, que é o maior rio do mundo.

O Rio negro é o mais extenso rio de águas escuras do planeta, e o segundo maior em volume de água — atrás somente do Amazonas. 

A cor das águas de todos os rios dependem das interações químicas e físicas das áreas ao redor. As águas pretas do Rio Negro e de muitos de seus efluentes possuem grande quantidade de substâncias orgânicas dissolvidas vindas dos solos arenosos adjacentes ao rio, que possuem vegetação rica em húmus. O húmus é uma decomposição de matéria orgânica, ou seja, restos de animais e plantas mortas. Portanto, é o húmus que dá a cor preta e é carregado para dentro do rio com as inundações.

Nessa foto dá pra ver bem como a água do Rio Negro é escura. Porém, mesmo escura, a água possue uma transparência que varia entre 1,3 m e 2,3 m. A foto mostra a pesca do Pirarucu, peixe mais consumido da região.

No passeio de barco, o guia mencionou a palavra "Cauxi". Então eu fui pesquisar. Ao tomar banho no Rio Negro, observei que o corpo ficava com uma camadinha fina de barro grudadinha na pele. Era o tal do Cauxi, que é uma substância derivada da reação de micro esponjas com a água do rio. Não é prejudicial à pele. É só esfregar com água e sabão durante o banho que sai.

 

Passeio de barco

Se você for a Manaus, não pode de jeito nenhum ficar sem fazer esse passeio de barco. Separe um dia só pra ele. Geralmente os passeios saem às 10 da manhã e retornam às 17 hrs. Tem várias agências de viagem que oferecem o pacote. 

Escolhemos a "Amazon Explorers", gostei muito dela e recomendo. O importante é que você contrate uma empresa confiável, que trabalhe dentro das normas de segurança, com coletes salva-vida, que obedeça o número máximo de passageiros à bordo e que seja filiada à Cadastur. Pagamos 200 reais por pessoa.

Saimos do Porto de Manaus e começamos o passeio pelo rio, mas que de tão grande e largo, parece mar! É muita água gente, não dá pra ver o fim! O passeio é feito numa espécie de lancha rápida, ainda bem, porque se não fosse, acho que estaria naquele rio até hoje, de tão extenso que ele é!

 

Encontro das águas – Rio Negro e Solimões

Depois de passar por Manaus, o rio Negro (com águas escuras) se encontra com o rio Solimões (água barrenta) e formam o Rio Amazonas. As águas dos dois rios correm lado a lado sem se misturar por uma extensão de mais de 6 km (que chega a 22km em algumas épocas do ano). 

Encontro das águas Rio Negro e Solimões Passeio de barco saindo de Manaus nadar com botos tribo indígena Mata Amazônica Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Esse fenômeno acontece por causa da diferença de temperatura e densidade, e por causa da velocidade de suas correntezas: o Rio Negro corre cerca de 2 km/h, enquanto que o Rio Solimões corre a 6 km/h. Do barco é possível colocar a mão na água e sentir as diferentes temperaturas dos dois rios: Rio Negro 28 graus e Rio Solimões 22. 

Esse espetáculo pode ser observado todos os dias, através dos passeios de barco. É emocionante estar ali onde nasce o maior rio do mundo! E nem é numa nascente, onde geralmente nascem os rios, é no meio de outro rio!! Isso que é o legal.

 

Os Botos Cor-de-Rosa

Claro e evidente que um dos momentos de maior encantamento foi sem dúvida o encontro com os botos. 

Eu quero deixar bem claro que sou TOTALMENTE CONTRA aos passeios que exploram animais. Mas topei fazer esse dos Botos porque o Ibama fica de cima, tomando conta mesmo. Gostei muito disso. O Ibama controla fortemente essa interação da natureza com os turistas. Tem dias certos para visitações, pois os botos precisam descançar e caçar para comer. O número de turistas que entra na água é limitado. Enquanto uns estão nadando, o resto fica esperando no barco. Tudo pensado para não estressar os animais.

Os botos cor-de-rosa são animais típicos da bacia amazônica. Nadamos com eles em um trecho do Rio Negro controlado por caboclos nativos e pelo Ibama. São mamíferos dóceis e de fácil convivência com os humanos. Tomar banho com os botos é uma prática comum entre os caboclos da Amazônia e à princípio não oferece riscos. O bom é que eles ficam soltos no rio, não existem jaulas ou cercas.

Eles são animais encantadores. Parecem crianças, só querem saber de brincar. Passam por debaixo de nossas pernas de maneira estabanada, dando rabadas com a cauda, quase nos derrubam. Eles deixam serem tocados com muita facilidade, não dá vontade de sair da água. 

Boto cor de rosa Rio Negro passeio de barco Manaus Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Existe uma lenda associada aos botos dizendo que durante as festas juninas, o boto-cor-de-rosa sai dos rios e aparece transformado em um jovem elegante e sedutor, vestido de branco e sempre com um chapéu para esconder o grande nariz, que não desaparece da sua cabeça, mesmo com a transformação. O boto seduz as moças e levam-nas para o fundo dos rios. Em alguns casos as jovens aparecem grávidas alguns meses depois. Quando um jovem desconhecido aparece em alguma festa na Amazônia, costuma-se pedir para que ele tire o chapéu para que se tenha certeza de que não é o boto. Quando uma mulher na Amazônia tem um filho de pai desconhecido, costuma-se dizer que ele é filho do boto.

** Tem um filme brasileiro que conta essa história. Chama-se "Ele, o boto" com Carlos Alberto Riccelli (1986). Para assistir o filme completo, clique aqui  www.youtube.com/watch?v=U66uFZ4KpO0

 

A Ponte Estaiada

A Ponte Estaiada liga Manaus ao município de Iranduba. É a única ponte que atravessa o trecho brasileiro do Rio Negro, sendo considerada a maior ponte fluvial do Brasil, com 3,6 quilômetros de extensão e 400 metros de altura, e a segunda maior ponte fluvial no mundo, superada apenas pela ponte sobre o Rio Orinoco, na Venezuela.

Passando por baixo da Ponte estaiada de Manaus Rio Negro passeio de barco Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Foi inaugurada em 2011, no dia do aniversário de 342 anos de Manaus, pela então presidente do país, Dilma Roussef. O custo total da Ponte Rio Negro foi de 1 bilhão de reais. Foram usados aço e cimento em quantidade suficiente para erguer três estádios do Maracanã. A ponte tem quatro faixas de tráfego, duas em cada sentido, além das faixas de pedestres nos dois lados. 

Para o governo do Amazonas, a ponte vai além da arquitetura monumental, pois leva o desenvolvimento para toda a região. Ao lado do Teatro Amazonas, a ponte vem sendo considerada um dos maiores e mais importantes monumentos da arquitetura da Amazônia.

Devido a acidez das águas do Rio Negro, adicionou-se um material anticorrosivo ao concreto e às barras de ferro das estacas de sustentação. A gente passa bem embaixo da ponte, é muito legal. Nós só pudemos ver essas estacas porque viemos no período da seca. No período das chuvas, quando o nível do rio sobe, elas ficam submersas. Dá pra ver o quanto o rio sobe, olha só! Uma coisa impressionante! 

A ponte iluminada à noite é linda. Ela muda de cor de acordo com datas festivas. É nela que os amazonenses festejam o Reveillon. Há queima de fogos e cascatas de luzes. Tudo visto da praia da Ponta Negra. 

 

Praias de rio

Seguindo o passeio pelo rio, podemos ver ao longo da margem várias praias. Eu não imaginava que o rio tivesse tantas praias! E praias de areia viu!!! Geologicamente, a Amazônia é uma bacia sedimentar formada pela forte influencia sofrida pelo surguimento dos Andes, onde os sedimentos depositados são reponsáveis pela formação de argila e muita areia.

O pessoal aproveita mesmo. Eles trazem os carros até a margem, abrem as portas, mandam ver no som! Passando de barco a gente ouve. São praias pequenas, mas com boa infra estrutura, bares, restaurantes, estacionamento de barcos. Como pude ver, nos dias de sol, o bicho pega!  

Dizem que é barato comprar um terreno por ali. Tipo 200,00 reais acredita??? Deu vontade de pular do barco e sair nadando até a margem, só pra comprar um! kkkkk, porque por acaso eu tinha esse dinheiro na carteira! rs

É claro que esse valor baixo tem um motivo pra ser. Essas praias desaparecem pelo 6 meses durante o ano por causas das chuvas e a subida do nível do rio. Nessa época, o rio invade a floresta e só dá para circular por ali de canoa. Nada de praia! Outro fator é que, devido a acidez do Rio Negro (por causa da decomposição de animais e vegetais vindos da floresta), os solos das suas margens possuem pouquíssimos nutrientes e não são muito propícios para a agricultura. 

Mas voltemos ao encantamento do passeio, porque esse rio é lindo e grande demais! Não dá pra ver o fim! Parece um mar! Vou repetir isso pro resto da vida.

E num passeio como esse, a gente conhece muita gente no barco. Tinham muitos estrangeiros (claro!) e brasileiros também, de tudo quanto é parte do país. A gente faz muitas amizades novas.

No barco tinha uma espécie de serviço de bordo. Lá trás tinha um bar, que vendia bebidas e petiscos. Comemos bolinhos de Pirarucu quentinhos, feitos na hora, acompanhado com o Guaraná regional, o Baré. Depois eles serviram como cortesia, fatias de abacaxi geladinho, tão doces que nunca mais vou esquecer na vida.

Bolinho de Pirarucu gastronomia peixe do Rio Negro Amazonas experiências gastronômicas Refrigerante Baré Guaraná da Amazônia Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Tudo isso até chegar a hora do almoço. Estava no roteiro parármos num restaurante flutuante no meio do rio. Comida deliciosa, típica, super bem temperada e com peixes variados. Tinham mesas reservadas pra nós que estávamos no barco. Tudo bem organizado, foi uma ótima parada.

Restaurante flutuante no Rio Negro Amazonas Manaus basseio de barco Blog da Ana Cassiano anacassianoRestaurante flutuante.

 

Assista no video abaixo: Nadando com Botos Cor-de-Rosa, Dançando com índios Tatuyós, Visita à Cachoeira de Presidente Figueiredo, Encontro das águas Rio Negro e Solimões e Passeio de Barco nos Rios da Amazônia.

Ana Cassiano

Morei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.