Pico do Jaraguá – Aldeia indígena, trilhas e a vista mais linda de São Paulo

Choose the Language ↓ Escolha o Idioma

EnglishFrenchGermanSpainItalianDutch
RussianPortugueseJapaneseKoreanArabicChinese Simplified
 
 

Pico do Jaraguá Ecoturismo na cidade de São Paulo Trilhas e Aldeia Indígena Tupi vista do alto antenas Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

O Parque Estadual do Jaraguá fica na cidade de São Paulo, na Serra da Cantareira. A área de preservação foi criada em 1961, em torno do Pico do Jaraguá, o ponto mais alto do município de São Paulo, com 1.135 metros de altura. O parque possui 492 hectares e abriga um dos últimos pedaços de Mata Atlântica que ainda existem no país.

O parque foi tombado em 1983 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) e em 1994 como Patrimônio da Humanidade, pela Unesco.

Chegar no Pico nos proporciona uma vista incrível da cidade de São Paulo, de um outro ângulo (natureza total!) bem diferente daquela megalópole movimentada e corrida que estamos acostumados.

Antigo palco de guerras entre bandeirantes e índios, o local foi muito explorado por possuir grande quantidade de ouro. Após o fim da mineração, com o esgotamento de todos os recursos por volta do século 19, tornou-se “um marco dos viajantes”, pois de qualquer local, o Pico poderia ser visto e, a partir daí, calculava-se a distância que faltava para se chegar à São Paulo. Jaraguá significa “Senhor dos Vales” na língua tupi.

 

O Parque

O parque é agradável, limpo e bem cuidado. A entrada é grátis e possui estacionamento. Tem áreas com churrasqueiras, bancos e mesas de madeira, banheiros e um lago. Infra estrutura propícia para as pessoas passarem um dia inteiro nele.

          Casarão que pertenceu ao bandeirante Afonso Sardinha, e hoje é tombada pelo patrimônio histórico.

 

       Araucária, características de regiões muito frias.

 

Para subir até o Pico do Jaraguá, dá pra fazer de carro (tem uma estrada asfaltada que vai até lá) ou a pé através de trilhas pela mata. Existem 3 trilhas, a Trilha da Bica, a Trilha do Silêncio (desenvolvida e instalada para passeios com grupos de terceira idade, e portadores de necessidades especiais) e a Trilha do Pai Zé. Escolhemos fazer essa última.

 

A Trilha do Pai Zé

A trilha do Pai Zé recebeu este nome por ser uma antiga rota utilizada por diversas pessoas que passavam por consultas espirituais com um líder religioso denominado Pai José. No meio da trilha há um oratório em ruínas onde o religioso realizava seus trabalhos.

Considerada nível alto de dificuldade. Tem 3.600 metros ida e volta, com subida íngreme... não péra, muito íngreme! E lembre-se que tudo que sobe tem que descer, então a coxa chega a tremer na volta! Kkkkk

Mas não quero desencorajar ninguém, vale muito a pena. A subida leva cerca de 1 hora e meia, claro que depende do ritmo de cada um. Considere o tempo que ficará lá em cima descansando, comendo e apreciando a natureza e depois tem que descer, mas é tranquilo.

Antes de começar, fizemos um alongamento, pois no nosso grupo tinha uma fisioterapeuta!

O mais importante não é chegada, e sim o trajeto. Fomos curtindo a natureza, tirando fotos, brincando e conversando, conforme nosso ritmo. Num determinado momento, sentimos a necessidade de parar. Descansamos um pouco, bebemos e comemos algo que tínhamos levado na mochila.

Boa parte da trilha é na sombra. A vegetação deixa o caminho lindo e animador. Saguis podem ser vistos durante o trajeto, mas pelo amorrrrr de deus, saiba interagir com a natureza sem danificá-la, e respeitar os animais é essencial!

                                          Foto: Bruno Aguilar.

 

Durante o trajeto, vi pessoas de todas as idades. Ou seja, a trilha pode ser feita por todos! Desde que você vá preparado. Use tênis (porque tem pedras que escorregam), roupas apropriadas, boné, protetor solar, repelente, além de comidinhas e água! Muita água! É bom levar também um agasalho na mochila, caso esfrie.

À medida que vai chegando no topo, a vegetação muda. De mata atlântica passa para Cerrado. Esse último trecho é o mais íngreme e com sol forte na cabeça, pois não há mais árvores. É o trecho mais difícil, principalmente porque tem umas escadas... um verdadeiro teste de resistência!

Mas a vista vale a pena! No topo das escadas tem um mirante de 360 graus, onde a gente enxerga os pontos mais distantes de São Paulo (em dias claros o alcance chega a 55 km!). Dá pra ver parte de Osasco, a rodovia dos Bandeirantes, a rodovia Anhanguera e o Rodoanel. É fundamental que o céu esteja aberto para poder apreciar a paisagem e enxergar os pontos mais distantes.

Desse ponto em diante, encontramos com a estrada de asfalto escolhida pra quem preferiu vir de carro. A gente caminha um pouco por ela (com cuidado, porque é perigosa!), passa pela torre da Rede Cultura e chega na base do Pico do Jaraguá. Lá tem banheiros, bebedouros, um kiosque de informações turísticas e alguns ambulantes vendendo espetinhos, salgadinhos e água de côco. Não há lanchonete nem restaurante! Se não quiser depender das barraquinhas de comida, leve seu próprio lanche, porque com certeza vai chegar lá em cima com fome.

      Foto: Nicole Marques.

 

No Pico, tem um outro mirante, lindo e bem maior que o primeiro, com uma vista incrível da cidade.

Para quem quiser ir além, pode subir até a antena da rede Bandeirantes, a maior e mais alta delas. Basta encarar uma escadaria de concreto, com muitos degraus. Mas pra quem chegou até aqui, isso é fichinha né!

       Olha a vista lá do alto!

Agora é começar a pensar na volta, e percorrer tuuuuudo de novo! 

 

Índios da aldeia Guarani

Cerca de 160 guaranis moram ao redor do Pico do Jaraguá numa área que não chega a dois hectares. Eles contam que reivindicam essa terra há 60 anos. Vivem em condições precárias, esquecidos pelos órgãos responsáveis (Funai) que na verdade deveriam protegê-los. Tentam à sua maneira e esforço manter as tradições indígenas, mesmo tão perto da área urbana. A aldeia mantém a língua e os costumes guaranis e sobrevive do artesanato.

         Foto: Bruno Aguilar.

 

Fui com o grupo de Guias de Turismo do Senac e fomos recebidos com todo carinho e atenção pelo Joel e pela D.Maria, que são os líderes da aldeia. Tivemos uma aula sobre as diferenças entre índio brasileiro e índio americano, aqueles que aparecem nos filmes de Hollywood e que confundem a nossa cabeça. Aprendemos que índio brasileiro não dorme em ocas, não sentam no chão de pernas cruzadas (se apoiam nos calcanhares de cócoras), índio brasileiro não tem pajé e não são chamados de “tribos” e sim “etnias”. Foi um grande aprendizado!

No dia, nós levamos alimentos não perecíveis para doar p a aldeia, e sugiro que vc faça o mesmo se puder ir um dia. Lá eles precisam muito de ajuda.

 

Leia também:

Pedra Grande da Serra da Cantareira, Ecoturismo dentro da cidade de São Paulo

Tudo de legal que tem para conhecer na cidade de São Paulo

Ana Cassiano

Morei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.

MMorei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.orei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.