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São Paulo

É difícil falar em poucas palavras da cidade mais populosa do Brasil, do continente americano, e de todo hemisfério Sul!!

Como "resumir" São Paulo, se é 7ª cidade mais populosa do planeta! A grande São Paulo (que abrange a capital e as metrópoles adjacentes) ultrapassa 30 milhões de habitantes e é uma das maiores aglomerações urbanas do mundo!

É claro que com esse tamanho e com tantas pessoas, a cidade tem muitos problemas, mas não é o que pretendo mostrar nesse post. Vou falar de uma cidade cosmopolita onde vivem pessoas de vários países diferentes e que possui uma grande riqueza histórica e cultural.

São Paulo é o motor do Brasil. Por ser uma cidade muito influente, tanto no cenário nacional como mundial, "é onde as coisas acontecem", e por isso recebe visitantes de todo o Brasil e do mundo. É uma cidade ativa, viva, calorosa, que não dorme. Famosa pela diversidade gastronômica, artística e cultural, é palco também de importantes feiras de negócios, manifestações políticas, shows e eventos. São Paulo nunca para! Só no trânsito, hahahaha.

Não é a toa que o lema da cidade, presente em seu brasão e em sua bandeira, é uma frase latina que significa "Não sou conduzido, conduzo".

           Bandeira da cidade de São Paulo.

 

São Paulo é uma mega-metrópole que tem muita coisa para ver e conhecer. Mas podemos começar falando dela à partir do seu centro, do berço do seu surgimento, onde estão as construções que contam sua história. 

Confesso que não foi fácil estudar tanta história e resumir em tão poucas palavras, mas nesse post tentei fazer uma síntese do centro histórico, roteiro pensado com muito carinho para guiar vocês, meus turistas do coração.

 

Por que a cidade tem esse nome?

O nome São Paulo foi escolhido porque o dia da fundação da cidade (25 de janeiro) é o mesmo que a igreja católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso ao catolicismo. O padre José de Anchieta escreveu uma carta à Companhia de Jesus dizendo:

“A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos aqui a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e por isso, à ele dedicamos nossa casa!”

Então vem comigo! Vou te levar para um tour pelo centro histórico da cidade de São Paulo!!

 

O Bairro da Liberdade

O bairro da Liberdade faz parte do centro de SP. É a nossa “Chinatown”. 

SP é uma cidade onde vivem pessoas de vários países diferentes. Cada etnia se concentra em um bairro. E na Liberdade é onde se concentra a população oriental que vive na cidade. Antes eram só japoneses que viviam ali, mas hoje tem muitos chineses e coreanos também. A maior parte de japoneses que vivem fora do Japão mora em SP. 

A origem do nome Liberdade: Antes de ser um bairro oriental, essa região era habitada pelos negros africanos, antigos escravos e suas famílias. Então o nome “Liberdade” é em referência à Abolição da Escravatura (1888). 

Também ajuda explicar o nome: Ali ficava a “Praça da Forca”, onde aconteceu o enforcamento de um soldado que reclamou sobre salários atrasados com a Coroa Portuguesa. A corda da forca rompeu várias vezes e o soldado acabou sendo morto com pancadas. O massacre sensibilizou a multidão, que gritava “Liberdade, Liberdade!”. Em homenagem ao soldado, foi construída a Igreja de Santa Cruz dos Enforcados, que fica na Praça da Liberdade, em frente à estação do metrô. 

Durante o século 19, imigrantes portugueses e italianos construíram sobrados que, com o tempo, viraram pensões que seriam habitadas futuramente pelos imigrantes japoneses que começaram a chegar no Brasil em 1908. Os japoneses se instalaram na Liberdade porque os sobrados eram habitações baratas. Alí foram surgindo mercadinhos, escolas, templos, cinema, comércio, tudo de japoneses, e o bairro foi se tornando o que é hoje. 

A imigração japonesa no Brasil completou 110 anos (2018). O Imperador Akihito e a Imperatriz Michiko já visitaram o Brasil algumas vezes e mais recentemente, a princesa Mako veio à SP (2018). 

A arquitetura do bairro é oriental. O viaduto Cidade de Osaka possui um Tori (portal) que significa “entrada”. As ruas do bairro são decoradas com as lanternas típicas. À noite as ruas ficam bem bonitas. 

Nas calçadas, tem o símbolo do Mitsuodomoe, um símbolo xintoísta que representa a harmonia entre o homem, o céu e a Terra.  

Na Liberdade se encontram ótimos restaurantes asiáticos e lojas orientais. Lá também acontecem as festas típicas e comemorações do calendário chinês, como a Dança do Dragão que acontece nos meses de janeiro. 

Bairro Liberdade São Paulo Ano Novo Chines Centro de SP Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

A feirinha da liberdade (de artesanato e comida) é famosa e acontece em todos os finais de semana.

 

Catedral da Sé 

A Catedral da Sé na verdade se chama Catedral de Nossa Senhora da Assunção, e Sé é apenas uma sigla (SE) que significa Sede Episcopal, onde fica o arcebispo. 

A catedral é a maior igreja da cidade e a 4ª maior igreja neogótica do mundo. Tem capacidade para abrigar 8.000 pessoas.

       A estátua que aparece à esquerda da foto é do apóstolo São Paulo.

 

O arquiteto responsável foi Maximilian Emil Hehl, engenheiro alemão radicado no Brasil, que projetou uma enorme igreja em estilo neogótico inspirada nas grandes catedrais medievais da Europa. A cúpula é inspirada no Renascimento, como a Duomo da Catedral de Florença.

A sua construção começou em 1913 e só terminou 40 anos depois. Foi finalizada para as comemorações dos 400 anos da cidade de SP. Todos os mosaicos, esculturas e mobiliário que compõem a igreja foram trazidos por navios da Itália. Entretanto, devido às guerras mundiais, houve grande dificuldade para se concluir a obra. Por isso, a inauguração só ocorreu em 1954, com as torres ainda inacabadas, mas a tempo para a celebração do aniversário da cidade. As torres só foram terminadas 13 anos depois. 

As torres pontiagudas parecem alcançar o céu, induzindo os olhares para o alto. Suas pilastras simbolizam os santos e os vitrais coloridos que deixam a luz do sol entrar em várias cores representam a presença divina.

A cripta localiza-se debaixo do altar principal. Nela estão sepultados bispos, arcebispos e vários personagens importantes da história do Brasil, como o índio Tibiriçá e os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, fundadores da cidade de São Paulo.

       Cripta.

 

O marco zero 

O Marco Zero é um monumento geográfico localizado na Praça da Sé, em frente a Catedral. O prisma hexagonal feito de mármore foi adornado pelo escultor francês Jean Gabriel Villin e foi inaugurado em 1934 pelo prefeito da época, Fábio da Silva Prado. 

O monumento representa o centro geográfico da cidade, de onde todas as medições de distância são estabelecidas. Esse sistema foi o primeiro do gênero na América do Sul e serviu de exemplo para outros estados brasileiros, que logo depois fizeram o mesmo em suas cidades.

        Vista do alto da Catedral da Sé

 

Catedral da Sé de São Paulo Centro Histórico Marco Zero Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br      Minha turma de Guia de Turismo no Marco Zero.

 

Cada face vertical do mini obelisco representa por meio de gravuras, seis importantes lugares para os quais o monumento está voltado. São eles: 

Paraná (ao Sul), representado pela imagem de uma Araucária. 

Santos (ao sudeste), com a figura de um navio à vapor de onde saíam os carregamentos de café, a principal fonte de economia da época. 

Rio de Janeiro (nordeste) que mostra o Pão de Açucar.

Minas Gerais (direção norte) representada por ferramentas de mineração. 

Mato Grosso (a sudoeste) caracterizado por vestimentas típicas dos bandeirantes. 

Goiás (noroeste) representado por uma bateia, instrumento utilizado pelos garimpeiros.

A placa de bronze em sua superfície representa os principais pontos da cidade na época, como os rios Tietê e Pinheiros, a Estação da Luz, a USP, Museu do Ipiranga, a Rua da Consolação e Avenida Paulista.

 

Caixa Cultural São Paulo 

O prédio da Caixa Econômica Federal fica em frente à Praça da Sé. O edifício é um importante exemplar da arquitetura Art Decó e foi inaugurado em 1939 por Getúlio Vargas. O art déco é marcado pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, havendo a tendência de tornar, através da percepção, o edifício mais alto.

Foi projetado para expressar a ideia de monumento, dentro do padrão de arquitetura oficial do Estado Novo nos anos 30, quando os prédios públicos eram idealizados para demonstrar o poder e exaltar o regime de Vargas. Tal robustez é expressa, sobretudo, pelo porte das colunas jônicas de granito negro. 

Prédio de mármore negro Caixa Cultural São Paulo Centro Histórico de SP Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

       Características jônicas

 

O prédio foi construído para ser a sede administrativa da Caixa Econômica Federal em São Paulo. Funcionou como sede até 1979, quando os escritórios do banco foram transferidos para a Avenida Paulista. Hoje funciona aqui um Centro Cultural, que abriga o Museu da Caixa (com diversos objetos e documentos que contam a história do sistema financeiro do Brasil) e mantém uma programação permanente de eventos culturais. 

O prédio é tombado pelo patrimônio municipal e mantém até hoje os espaços internos originais muito bem conservados com ambientação de época. 

O hall tem formato octogonal e um vitral maravilhoso, com mais de seis metros de altura, executado pelo artista de Milão Henrique Zucca, retratando as riquezas do estado de São Paulo, destacando o café, a indústria e a pecuária. 

No teto, de formato abobadado, está instalada uma claraboia com vitrais coloridos. Na obra, foi utilizada grande quantidade de material importado: vidros da Inglaterra, mármores da Itália, e outros materiais vindos dos Estados Unidos.

 

O Solar da Marquesa de Santos

Esse casarão pertenceu à Marquesa de Santos, famosa amante de D. Pedro I. Assim que eles terminaram o relacionamento, a Marquesa (que não era de Santos, mas recebeu o título com esse nome) voltou para São Paulo e comprou esse imóvel no centro da cidade, no ano de 1834. 

A casa entrou para a história devido as festas que ocorriam por lá. Nela Domitila (seu real nome) viveu durante 33 anos, até a sua morte, aos 70. Hoje, “O Solar da Marquesa” pertence a Prefeitura de São Paulo e abriga a sede do Museu da Cidade.

Solar da Marquesa de Santos Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

O Beco do Pinto é uma passagem que fica entre a Casa Número Um e o Solar da Marquesa de Santos. Na época colonial, funcionava como trânsito de pessoas e animais do largo da Sé até o Rio Tamanduateí. O beco levou esse nome por causa do sobrenome do proprietário da casa, o Brigadeiro José Joaquim Pinto de Moraes Leme. Só depois o casarão foi comprado pela Marquesa de Santos. 

**Ufa que susto!! Pensei que "Pinto" no nome significaria outra coisa (aloka)**

          "O Beco do Pinto" entre a casa da Marquesa (à direita) e a Casa Número Um (à esquerda).

 

           A Casa Número Um (ou Casa da Imagem), que hoje abriga projetos e exposições de artistas contemporâneos.

 

Pátio do Colégio

O Pátio do Colégio é o marco inicial do nascimento de São Paulo. Foi aqui onde tudo começou, quando a cidade foi fundada, em 1554.

Pátio do Colégio Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

O Pátio do Colégio é um sítio arqueológico onde foi levantada a primeira construção da cidade, quando os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta estabeleceram um núcleo para fins de catequização dos indígenas a pedido de Portugal. Daí o nome "colégio".

Aqui nesse exato local, em 25 de janeiro de 1554, foi realizada por José de Anchieta a missa que oficializou o nascimento da cidade de São Paulo. O índio Tibiriçá (estátua abaixo) era um importante líder aliado dos portugueses na época da colonização e teve papel crucial na fundação da cidade. O Papa João Paulo II, quando visitou o Brasil em 1980, celebrou diante dessa cruz uma missa em honra ao padre José de Anchieta.

Estátua Índio Tibiriçá Centro Histórico de São Paulo Pátio do Colégio Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Depois da sua fundação, o Pátio do Colégio foi sede do governo paulista de 1765 à 1912. Em 1770, passou a abrigar a sessão inaugural da Academia Paulista de Letras. De lá pra cá, já sofreu várias transformações na sua construção original. Hoje abriga o Museu Anchieta, uma capela (onde fica exposto o fêmur do padre), uma biblioteca, uma ótima cafeteria e a Cripta Tibiriçá, local que estão os restos mortais desse importante índio.

         Praça Padre Manoel da Nóbrega, fica em frente ao Pátio do Colégio.

 

Este é o Padre Manoel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo. O seu busto fica no pátio da cafeteria, um lugar perfeito para se fazer uma parada. Tem mesinhas ao ar livre e banheiros. Fica sempre um músico ali tocando um instrumento ao vivo, o que dá ao espaço um delicioso clima europeu. Note na foto abaixo um rapaz tocando acordeon.

Quem foi Padre Manoel da Nóbrega? Centro Histórico de São Paulo Pátio do Colégio Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

        Pátio interno do Colégio

 

      Cafeteria

 

 

O Marco da Paz

Quando andamos pelo Pátio do Colégio notamos a existência de um lindo arco com um sino. Trata-se do Marco da Paz. É um importante monumento paulistano que já ultrapassou as fronteiras da cidade e do país, estando presente também em outros 4 países.

Sino Marco da Paz, o que significa? Pátio do Colégio Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Este símbolo foi idealizado pelo Sr. Gaetano Brancati Luigi, membro da Associação Comercial de São Paulo e nascido na Itália em plena II Guerra Mundial. O principal sentimento dele enquanto criança era o medo de crescer e ter que servir como soldado. Em 1945, ele (na época com oito anos) escutou os sinos ecoarem anunciando o fim da guerra. Nesse dia histórico, nascia na mente daquele menino a idéia de criar um símbolo de paz entre os povos. Os anos se passaram e Gaetano emigrou para o Brasil.

No ano 2000, Gaetano (já um senhor) percebeu a ausência do toque de um sino da igreja do Pátio do Colégio, local onde a cidade de São Paulo nasceu. Então ele teve a idéia de colocar lá o Monumento, que já se encontra presente também em outras cidades do Brasil e do mundo. Uma iniciativa brasileira de nível global. 

O troféu oficial da Maratona de São Silvestre é uma réplica do Marco da Paz.

 

Rua Bela Vista, a "Rua dos Bancos"

Logo que saímos do Pátio do Colégio, pegamos a rua Bela Vista. Ela tem esse nome desde 1711, pois fica no alto de um morro e antigamente dalí as pessoas podiam admirar a bela paisagem do vale e das encostas da Serra da Cantareira.

A partir de 1930, os prédios da rua Boa Vista passaram a sediar os principais bancos do estado, tornando-se nos anos 50 uma rua quase que exclusivamente bancária, fato que se prolongou até os anos 90, quando a mesma entrou em decadência. A partir do ano 2000, o Estado e a prefeitura, numa tentativa de revitalização do centro, começaram a ocupar os prédios com suas secretarias.

O Viaduto Boa Vista é pequeno e belo. Por ser bem curto, quase não é notado por quem passa por ele diariamente. Foi inaugurado poucos dias antes da Revolução de 1932, e mesmo sendo uma obra de apenas alguns metros, os engenheiros Gaucherry e Oswaldo Bratke projetaram uma bela construção em art déco com grades de ferro, cujos traços podem ser melhor observados da parte debaixo do viaduto. 

Na época, sua construção melhorou muito o trânsito de carros e pessoas. E não bastava sem apenas funcional, o viaduto tinha que ser também uma bela obra arquitetônica, pois estava localizado ao lado do então Palácio do Governo. 

Hoje, a vista que temos do viaduto Boa Vista é a Ladeira General Carneiro, com sua calçada sempre lotada de camelôs e pessoas.

         Ladeira General Carneiro.

 

O Impostômetro

No Viaduto Boa Vista nota-se a presença de um painel eletrônico, cujos números sobem num ritmo frenético a cada segundo! Trata-se do Impostrômetro, que está instalado desde 2005 na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

O painel calcula a arrecadação em tempo real do valor dos impostos, taxas e contribuições pagas pela população brasileira nos três níveis de governo (municipal, estadual e federal) desde o 1º dia do ano. Portanto, no final de cada dia 31 de dezembro, o painel zera novamente. 

O objetivo é conscientizar a população da alta taxa tributária que paga e incentivar as pessoas a cobrarem dos governantes serviços públicos de qualidade.

         A rua Bela Vista com o Impostômetro à esquerda.

 

Centro Cultural Banco do Brasil 

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é uma rede de espaços culturais mantidas pelo banco com o objetivo de disseminar a cultura. Mesmo estilo da Caixa Econômica Cultural que vimos no início desse post. Só existe em 4 capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. 

No caso de São Paulo, o edifício construído em 1901 foi comprado em 1923 pelo Banco do Brasil, e coube ao engenheiro-arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Junior transformá-lo em agência bancária, que funcionou de 1927 até 1996. Essa foi a primeira agência do Banco do Brasil do estado de São Paulo.

Centro Cultural Banco do Brasil CCBB Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Como Centro Cultural funciona desde 2001. Os elementos da arquitetura original foram restaurados, tornando-o assim um dos mais significativos exemplos da arquitetura do início do século. Recebe ótimas exposições de arte, possui um cinema, um teatro, um auditório, um restaurante e uma charmosa cafeteria.

 

Rua 15 de Novembro

A rua 15 de Novembro, no século 19 se chamava Rua da Imperatriz em homenagem à família Imperial que morava no Rio de Janeiro, mas sempre visitava São Paulo na época. Quando ocorreu a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, a rua mudou de nome em referência à data que o fato ocorreu. 

No início do século XX, era considerada a rua mais chique da cidade, onde se localizavam as lojas e cafés mais sofisticados. Nessa região ficavam as principais redações de jornais, hotéis, restaurantes, teatros, charutarias e por isso, era o lugar por onde circulavam os políticos, homens de negócio, estrangeiros e.... principalmente mulheres bonitas claro! 

      A rua 15 de Novembro nos dias de hoje.

 

Um edifício que chama bastante atenção nessa área é o prédio do Banco do Estado. O banco faliu, não existe mais, mas no lugar funciona a Secretaria dos Esportes, Lazer e Turismo do Estado de São Paulo. O prédio tem uma fachada linda, com fortes características em art déco, que usa e abusa de adornos e formas geométricas, fazendo o edifício parecer mais alto.

A Praça Antônio Prado é um lugar muito acolhedor. Tem um coreto lindo de madeira, e outras barracas feitas de madeira também. Uma é banca de Jornal, e na outra trabalham engraxates. Tem um restaurante badaladinho (o Salve Jorge) e a BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo).

        O simpático restaurante Salve Jorge

E no meio disso tudo, está o principal símbolo turístico da cidade de São Paulo, o Edifício Banespa!

 

Farol Santander 

O Edifício Altino Arantes (também conhecido como Edifício Banespa ou Banespão) é o símbolo da capital paulista e foi projetado à semelhança do Empire State de Nova Iorque. 

Logo após a inauguração na década de 1940, chegou a ser considerado a maior estrutura em concreto armado do mundo. Hoje é o terceiro prédio mais alto da cidade de São Paulo (ficando atrás do Mirante do Vale e Edifício Itália) e o sétimo mais alto do Brasil.

Farol Santander Prédio do Banespão Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Construído em 1939 para sediar o Banco Banespa, foi inaugurado em 1947 por Ademar de Barros (o governador de São Paulo na época). No ano 2000, o banco foi privatizado e vendido para o Santander. Além de escritórios, no prédio funciona hoje o Museu Banespa, que reúne a história do banco desde sua inauguração. 

       São Paulo by Night*

 

Pode subir no alto do Farol Santander para ver São Paulo de cima. É um belo passeio. Assista no video abaixo:

 

O Edifício Martinelli 

O Edifício Martinelli foi idealizado pelo italiano Giuseppe Martinelli e projetado pelo arquiteto húngaro William Fillinger da Academia de Belas Artes de Viena.

Foi inaugurado às pressas em 1929, ainda incompleto, com apenas 12 andares. A construção então seguiu até 1934 e o trabalho só terminou quando o edifício tinha 30 andares (105 metros). Com essa altura, foi durante alguns anos o maior arranha-céu do país e o mais alto da América Latina.

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, o prédio abrigou em seus terraços superiores, uma bateria de metralhadoras antiaéreas, para defender São Paulo do ataque dos chamados "vermelhinhos", os aviões do Governo da República, que sobrevoavam a cidade ameaçando bombardeá-la.

Vários partidos políticos tiveram suas sedes no Edifício Martinelli e os clubes da cidade também, como o Palestra Itália (hoje Palmeiras) e a Portuguesa de Desportos. 

A partir da década de 50, o edifício entrou em uma fase de degradação extrema, ocupado por moradores de muito baixa renda, com o lixo sendo jogado nos buracos do elevador e servindo de cenário para alguns dos crimes mais famosos da época. 

Em 1975 foi desapropriado pela prefeitura e completamente reformado pelo Prefeito Olavo Setúbal. Reinaugurado em 1979, hoje abriga órgãos públicos e diversos estabelecimentos comerciais na parte térrea do edifício. 

No 26º andar existe um belíssimo terraço do qual se tem uma visão panorâmica da cidade. Também nesse espaço foi construída a "Casa do Comendador", réplica de uma vila italiana, onde a elite de São Paulo se reunia em suntuosas festas. Foi construída como moradia da família Martinelli para "provar" ao povo que o prédio não cairia.

 

Casa Mathilde 

A Casa Mathilde é uma doceria tradicional portuguesa que fica na Praça Antônio Prado. É especializada em queijadas, pastéis de nata, pães e lanches. 

O nome está ligado à Fábrica das Queijadas Mathilde fundada em 1850 por Mathilde Soares Ribeiro, em Sintra, Portugal. Naquela época em Sintra, o Rei de Portugal gostava tanto da Doceria Mathilde, que mandou confeccionar um carimbo imperial para que os doces fossem marcados.

Aqui no Brasil, a marca foi adquirida por quatro empresários portugueses empenhados em manter a qualidade da tradicional casa portuguesa. O lugar é previlegiado, pois proporciona uma linda vista da praça e do Edifício Martinelli.

Na Doceria Mathilde foram gravadas cenas do filme “Minha Mãe é Uma Peça 2” com o enconto de Dona Hermínia (ator Paulo Gustavo) e seus dois filhos.

 

Café Girondino 

Embora não tenha nenhuma semelhança com o original, o nome é inspirado em um famoso bar homônimo que existiu na Praça da Sé no século 19, quando os bondes puxados por burros ainda circulavam pelas ruas de São Paulo. Por isso, faz o gênero vintage para atrair os turistas que curtem uma opção charmosa e histórica no centro antigo da cidade. De algumas de suas janelas, é possível avistar o Mosteiro São Bento. 

O carro chefe da casa? Arroz-Doce! E também funciona como restaurante. Como tradição, todo dia 29 do mês é servido o “nhoque da sorte”. 

      Janela com vista para o Mosteiro São Bento.

 

Largo Sao Bento 

O espaço abriga a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Colégio de São Bento e a Faculdade São Bento. Sua fundação coincide com a fundação da cidade de São Paulo, em 1554. 

Por volta de 1650, o bandeirante Fernão Dias, conhecido como “o caçador de esmeraldas” doou uma grande quantia de dinheiro para que se edificasse uma nova igreja. Como agradecimento, seus restos mortais, assim como os de sua mulher Maria Garcia, foram guardados no mosteiro. 

Em 1900, Dom Miguel Kruse assume a direção do Mosteiro. Na tentativa de criar um bom colégio secundário, surge, em 1903, o Colégio de São Bento, que ainda permanece sob a administração da Ordem até hoje. 

Em 1908, é fundada a Faculdade de Filosofia, que seria a primeira do Brasil e que, atualmente, encontra-se ligada à PUC de São Paulo. 

Em 1910 iniciou-se a construção do novo mosteiro, segundo o projeto do arquiteto Richard Berndl, da cidade de MuniqueAlemanha. As obras foram finalizadas em 1921 e, no ano seguinte, deu-se a cerimônia de sua sagração, dando origem ao conjunto beneditino que existe hoje. 

A última grande transformação veio com o metrô, durante a década de 70. O largo ganhou bancos, calçadão, jardins e um movimento bem mais intenso de pessoas. 

Todos os domingos, às 10 horas, acontece no Mosteiro de São Bento uma missa acompanhada por um coral que entoa belos cantos gregorianos. Uma coisa maravilhosa de assistir! Vale muito a pena!!

Além da religião, a tradição gastronômica está presente no mosteiro. A padaria deles oferece famosas preparações, como o Bolo dos Monges, Bolo Santa Escolástica, o Pão de São Bento e Pão de Mel Benedictus. 

Outra atração é a biblioteca no Mosteiro de São Bento, com mais de cem mil títulos, muitos deles raros e que vieram para o Brasil junto com os monges beneditinos em 1598! Os livros atendem à demanda dos alunos dos cursos de Filosofia e Teologia da Faculdade de São Bento. Os alunos têm à disposição uma antessala com mesas e computadores, onde podem consultar as obras, porém o acesso ao ambiente onde se armazenam os livros é restrito aos monges beneditinos que lá vivem. Os interessados de fora podem solicitar uma permissão de visita.

 

Viaduto Santa Ifigênia 

O Viaduto Santa Ifigênia (escreve com “i” mesmo) é um viaduto localizado no centro de São Paulo com uso exclusivamente para pedestres. Com 225 metros de extensão, ele começa no Largo de São Bento e termina em frente a Igreja de Santa Ifigênia.

De estilo Art Nouveau, encanta quem passa pela sua estrutura metálica cheia de adornos de cor dourada e formas inspiradas em flores e folhagens. Sem falar das luminárias antigas e o chão coberto por pastilhas coloridas. 

No século 19, época áurea do café, São Paulo teve sua população multiplicada e a malha urbana expandida. Houve então a necessidade urgente de melhorias no trânsito (essa história já é antiga tá vendo!!) pois os carros, carruagens e bondes precisavam atravessavam o Vale do Anhangabaú e o Viaduto do Chá (que já existia) não estava dando conta do recado sozinho. 

A estrutura pensada pelo arquiteto Giulio Micheli e os engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá, foi totalmente fabricada na Bélgica. Cerca de mil e cem toneladas de estrutura metálica desembarcaram no porto de Santos e chegaram na região pela estrada de ferro São Paulo Railway. 

O viaduto começou a ser montado em 1910 e foi inaugurado em 1913, pelo então prefeito Raymundo Duprat.

Viaduto Santa Ifigênia Art Nouveau Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br        Eu e minha mãe no Viaduto Santa Ifigênia.

 

A Prefeitura de São Paulo 

Prédio da Prefeitura de São Paulo Jardim no topo pode visitar! Centro Histórico de São Paulo Viaduto do Chá Anhangabaú Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br

Edifício Matarazzo é a sede da prefeitura de são Paulo desde 2004. Está localizado no Vale do Anhangabaú, no começo do Viaduto do Chá. 

Com arquitetura italiana, o prédio é famoso por seu jardim localizado no último andar. Abrigou a sede das indústrias Matarazzo dos anos 30 aos anos 70 e também foi sede do Banco Banespa (por isso o apelido "Banespinha"). 

O Edifício Matarazzo foi responsável pelo maior volume de mármore e granito vindo da Itália até hoje!

     O saguão de entrada: Todo de mármore!

 

      Jardim do topo.

 

      Vista do Vale do Anhangabaú.

 

    Vista do Teatro Municipal.

 

No video abaixo, mostro como é o jardim no topo do prédio da Prefeitura de São Paulo. Assista.

 

Edifício Mirante do Vale 

Mirante do Vale é o prédio mais alto da cidade de São Paulo, com 170 metros e 51 andares. Por não ser muito conhecido pela população, muitas pessoas acham que os mais altos são o Edifício Itália ou o Edifício Banespa. Como o Mirante do Vale fica localizado em um vale (Anhangabaú), ele aparenta ser mais baixo em relação aos outros dois que estão localizados em áreas mais altas da cidade. 

        O Mirante do Vale com o Viaduto Santa Ifigênia bem na sua frente. 

 

Por 48 anos, foi o maior edifício do país, além de ter sido o 18.º arranha-céu mais alto da América do Sul. Projetado pelo arquiteto Waldomiro Zarzur, sua construção começou em 1960 e foi inaugurado em 1966. Após a sua conclusão, manteve o título de maior arranha-céu do Brasil até ser superado pelo Millennium Palace de Balneário Camboriú, inaugurado em 2014. 

Após sua finalização, o edifício teve a estrutura de concreto vazada no seu topo ocupada por grandes painéis luminosos de diversas marcas, como Fanta e Sharp. Hoje como esses painéis não estão mais lá, temos a impressão de que o prédio não foi terminado.

 

Viaduto do Chá

O Viaduto do Chá foi o primeiro viaduto de São Paulo. Fica no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. O seu nome derivou do Morro do Chá, que ficava na região e antigamente tinha plantações de chá da Índia. 

Antes da construção do viaduto, o Vale do Anhangabaú era separado pelo rio de mesmo nome. Os moradores tinham muita dificuldade para atravessar. Então, em 1887, o cidadão francês Jules Martin propôs à prefeitura na época de construir uma ponte. 

A empresa responsável pela obra encomendou uma armação metálica à empresa alemã Harkort, que chegou ao Brasil em 1890. As obras foram concluídas e em 1892 o viaduto foi inaugurado, com 240 metros de comprimento, 18 metros de largura, 34 metros de altura e com passagens de pedestres laterais feitas de placas de madeira. 

       Antigo Viaduto do Chá.

 

Masss... para pagar as despesas da construção, eram cobrados três vinténs para utilizar a passagem (tipo um pedágio), o que fez com que somente as pessoas refinadas atravessassem com mais frequência. Somente 5 anos depois de inaugurado que um vereador, à pedidos calorosos da população, liberou a passagem tornando a travessia gratuita. 

A cidade cresceu e, em 1938, a construção de metal alemão com assoalho de madeira já não suportava mais o grande número de pessoas que por lá passavam diariamente. Então o viaduto foi demolido, dando lugar a um novo, feito de concreto e com o dobro de largura, o que é hoje.

        Com o Vale do Anhangabaú lá embaixo.

 

Vale do Anhangabaú Viaduto do Chá Centro Histórico de São Paulo Blog da Ana Cassiano anacassiano.com.br         Minha turma de Guias de Turismo no Viaduto do Chá. 

 

Por ser uma região de intenso trânsito de pessoas, o Viaduto do Chá costuma servir de plano de fundo para entrevistas e enquetes de programas de televisão. Também é um local muito usado para locações externas de novelas e filmes. 

 

Vale do Anhangabaú

Abaixo do Viaduto do Chá fica o Vale do Anhangabaú. Ele é na verdade uma extensa laje que cobre o Rio Anhangabaú (já canalizado) e um complexo subterrâneo de avenidas importantes que passam por ali. 

O Vale do Anhangabaú recebeu um projeto paisagístico, tornando-se um belo espaço público onde tradicionalmente acontecem manifestações, comícios políticos e shows populares.

 

E o Gran Finale: O Teatro Municipal

O Teatro Municipal de São Paulo é um dos mais importantes do Brasil. Fica na famosa Praça Ramos de Azevedo e tem capacidade para 1.523 pessoas. 

O gosto pela música erudita já havia sido implantado nas elites por influência da Corte, pois o Imperador D. Pedro II e sua esposa Tereza Cristina eram grandes admiradores. E para atender ao desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais, foi criado o Teatro Municipal. 

O local escolhido para a construção foi o Morro do Chá, que já abrigava o Teatro São José, melhor teatro da época. Com o projeto de Cláudio Rossi, desenhos de Domiziano Rossi e construção pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, as obras foram iniciadas em 1903 e finalizadas em 1911. 

Seu estilo arquitetônico é semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo e foi inspirado na Ópera de Paris. O estilo é o eclético, em voga na Europa desde a segunda metade do século 19. Foram combinados os estilos Renascentista, Barroco e Art Noveau, sendo o último o estilo o principal da época. 

No dia da inauguração, houve uma grande aglomeração de pessoas entorno do teatro. Cerca de 20 mil cidadãos vieram do interior apenas para admirar a iluminação com energia elétrica, coisa que até então era novidade. Por causa da inauguração do Teatro Municipal, a noite de 12 de Setembro de 1911 foi cenário do primeiro grande congestionamento da cidade de São Paulo!! Hahahahah adorei isso gente! Tem um marco inicial rs. 

A companhia apresentou 2 grandes óperas durante a primeira temporada, O Guarany de Carlos Gomes e Hamlet de Shakespeare. 

Além de sua importância arquitetônica, o teatro também possui notabilidade histórica, já que foi palco da Semana de Arte Moderna, o marco inicial do Modernismo no Brasil, que pregava a ruptura de todo e qualquer valor artístico que existira até o momento. Estiveram presentes no Teatro Municipal Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anitta Malfatti, Di Cavalcanti entre outros. Tarsila do Amaral não participou, pois estava na Europa. 

Com o passar dos anos, além da Semana de Arte Moderna, o teatro, que havia sido feito exclusivamente para a ópera, mostrou-se capaz de abrigar outros grandes eventos artísticos, como performances de bailarinas famosas (Anna Pavlova é um exemplo). 

Nas décadas seguintes, houve uma queda de público e a opulência do teatro foi desaparecendo devido a outras construções nos arredores que acompanhavam o crescimento de São Paulo, como por exemplo, o Edifício Banespa. Por isso, 1952 o prefeito Jânio Quadros fez uma grande reforma no teatro para as comemorações do aniversário de 400 anos da cidade. E depois, na década de 80 ele fez uma segunda reforma, concluída em 1991 já sob a gestão de Luísa Erundina. 

Ao se aproximar de seu centenário, novas obras de restauração foram iniciadas no edifício em 2008. As obras foram concluídas em novembro de 2011. Atualmente, com mais de 100 anos, o Teatro Municipal de São Paulo é considerado um dos palcos de maior respeito do Brasil, apresentando uma das maiores e melhores produções líricas do país. 

O edifício é tombado pelo patrimônio histórico. O teatro abriga os seguintes corpos artísticos: Orquestra Sinfônica de São Paulo, Coral Lírico, Ballet de SP e Escola de Música.

       São Paulo by Night*

 

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Ana Cassiano

Morei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.