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Paraty

Para chegar em Paraty, recomendo que vc vá por Cunha, depois passe pelos campos de lavanda que tem por ali e siga pela estrada SP-171, que liga Guaratinguetá à Paraty. Essa estrada é linda. Tem um trecho de 9,4 km pavimentada de paralelepípedos, a coisa mais linda mesmo. A estrada passa pelo Velho Caminho do Ouro e pelo interior do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Prepare-se para admirar uma das mais belas vistas da vida! É uma região maravilhosa. 

Entre Cunha e Paraty, tem a Pedra da Macela, no km 66 da SP-171, cujo acesso é por uma caminhada de dois km por terreno íngreme. A 1.840m de altitude, no Parque Nacional da Serra da Bocaina, esse pico tem vista panorâmica de Paraty, da baía de Ilha Grande e de Angra dos Reis. O local não permite o acesso de carros particulares e a entrada é gratuita.

 

Parati ou Paraty?

Paraty, que na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes", era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje se situa a cidade. Aqui, naquele tempo e ainda hoje, os paratis (peixe de família das tainhas - Mugil Brasiliensis) vem durante o inverno desovar e procriar nos rios que desembocam na baía de Paraty e depois voltam ao mar. Os colonizadores, por sua vez, mantiveram o antigo nome indígena. Originalmente, o nome era grafado com dois "i": Paratii, posteriormente, já no século XVIII, aparece a grafia Paraty, com "y", que foi mantida até 1943, quando a Convenção Ortográfica Brasil-Portugal suprimiu o Y do alfabeto português.

A cidade foi fundada em 1667 em torno à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira. Teve grande importância econômica devido aos engenhos de cana-de-açúcar (chegou a ter mais de 250), sendo considerada sinônimo de boa aguardente. 

No século 18, destacou-se como importante porto por onde se escoava das Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas que embarcavam para Portugal. Porém, com a construção de um novo caminho da Estrada Real, desembocando diretamente no Rio de Janeiro, levou a cidade a um grande isolamento econômico. 

Após a abertura da Estrada Paraty-Cunha, e principalmente, após a construção da Rodovia Rio-Santos na década de 70, Paraty torna-se pólo de turismo nacional e internacional, devido ao seu bom estado de conservação e graças às suas belezas naturais. Em sua área encontram-se o Parque Nacional da Serra de Boicana, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçú, onde está a Vila da Trindade, a Reserva da Joatinga, e ainda, faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. Ou seja, é Mata Atlântica pra todo lado. 

 

O Centro Histórico

O Centro Histórico de Paraty data de 1820, quando suas ruas já possuiam seu calçamento "pé de moleque". Época do auge da cultura do café e da cana de açucar, histórias de piratas no porto e da maçonaria que determinava o traçado do Centro Histórico (leia no fim desse post). As ruas foram todas traçadas do nascente para o poente e do norte para o sul. Todas as construções das moradias eram regulamentadas por lei, podendo pagar com multa ou prisão, quem desobedecesse as determinações. A maçonaria deixou sua forte marca nas fachadas dos sobrados com desenhos geométricos, em relevo. 

Naquela época também, a água do mar invadia as ruas da cidade nas marés de lua cheia, e lavava toda a sujeira que ali continha. Isso acontece até hoje!

O Centro Histórico, considerado pela UNESCO como "o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso" é Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN. Sua ruas, protegidas por correntes que impedem a passagem dos carros, preservam ainda o encanto colonial, aliado a um variado comércio e a expressões culturais e artísticas muito intensas. Os carros apenas podem circular pelas ruas que fazem limite com o Centro. A maioria das ruas do Centro Histórico tem 2 nomes, fruto de decretos municipais conflitantes com o costume já instalado. 

A primeira grande atração de Paraty é caminhar pelas ruas do Centro Histórico. Em meio aos casarões coloniais, a gente caminha pelas ruas de pedra, que de certa forma requer certo cuidado, pois as pedras são bastante irregulares - por isso são chamadas de ruas de Pé-de-moleque – e é até perigoso torcer o pé!

 

Igreja de Santa Rita

A Igreja de Santa Rita é considerada o cartão-postal de Paraty. Foi construída por escravos libertos em 1722 e possui elementos da arquitetura jesuítica e do barroco nos detalhes internos e externos. O altar não é dedicado somente à Santa Rita, mas também à Nossa Senhora da Conceição e à Nossa Senhora do Carmo. Aqui também funciona o Museu de Arte Sacra, com um acervo repleto de obras de Portugal e do Vale do Paraíba.

 

Igreja Nossa Senhora das Dores

A Igreja Nossa Senhora das Dores, popularmente conhecida como "Capelinha", foi erguida em 1800 por mulheres da aristocracia local. Ao longo de sua história, ela soube valorizar o papel feminino na sociedade e abrigou irmandades e outros projetos religiosos inteiramente dedicados as mulheres. Um de seus grandes destaques é sua torre, que abriga no topo um galo marcador da direção dos ventos, semelhante ao encontrado na Igreja de Santa Rita.

 

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios

A Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios passou por diversas reformas e chegou a ser demolida. Inicialmente erguida por moradores locais em homenagem a São Roque, a capela viria a mudar de nome graças à intervenção de Dona Maria Jácome de Melo, que queria uma obra dedicada à santa de sua devoção. Foi demolida em 1668 e reconstruída em 1712 em tamanho ampliado, com duas capelas internas e sete altares. Esses elementos são preservados até hoje, juntamente com os aspectos neoclássicos da arquitetura.

 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é uma das menores igrejas de Paraty. Fica na região mais importante do Centro Histórico, na Rua do Comércio, e tem o único altar de ouro da cidade. Foi construída por escravos em 1725, e hoje sedia a Festa dos Santos, evento religioso que tem missas, procissões e ladainhas na programação e que ocorre todo mês de novembro.

 

Casa da Cultura de Paraty

A Casa da Cultura de Paraty, administrada pela comunidade local, é um pequeno museu inaugurado com a intenção de preservar e divulgar a história da cidade. O interior expõe objetos que remetem às festividades locais, bem como reproduções de gravuras do navegador alemão Hans Staden. Aqui também funciona a Pinacoteca da cidade, que expõe obras de artistas plásticos que tiveram algum tipo de relação com Paraty.

 

Praça da Matriz

A Praça da Matriz é a maior praça do Centro Histórico. É onde ficam os casarões que funcionam como bares, cafés e restaurantes charmosos. Um dos lugares mais movimentados, principalmente à noite.

Do outro lado da praça, ficam estacionadas as charretes com guias que oferecem passeios turísticos pelo centro. 

 

Paraty e a Maçonaria

Tem-se certeza que, no século XVIII as portas e janelas da maioria das casas de Paraty eram pintadas em branco e azul, o chamado azul-hortência da Maçonaria Simbólica. Paraty foi urbanizada por Maçons. Um toque de misticismo e esoterismo também se mistura à história desta cidade. 

Documentos comprovam que o primeiro padroeiro de Paraty foi São Roque, um santo místico esotérico, que percorreu como peregrino o caminho de San Thiago de Compostela. De certo modo, talvez isso explique o motivo da presença maçônica em Paraty. 

Segundo pesquisas baseadas em documentos e nos indícios de simbologia maçônica encontrada nas ruas e nos sobrados mais antigos, a Maçonaria se instalou aqui no início do século XVIII. Nessa época, a cidade já possuia um arruador, que era a pessoa encarregada de organizar as construções das ruas, das casas, das praças. Esse arruador, que chamava-se Antônio Fernandes da Silva, foi o responsável pelo traçado "torto" das ruas e desencontrado das esquinas , sobre os quais há muitas explicações. Segundo ele próprio, esse traçado foi feito para evitar o vento encanado nas casas e distribuir equitativamente o sol nas residências. 

Outro sinal da presença maçônica são os três pilares (cunhais) de pedra lavrada, encontrados em algumas esquinas, que, segundo diz o povo, foram colocados para formar o triângulo maçônico. Talvez isso explique as ruas "entortadas" do arruador. As colunas das ruas de Paraty formam um pórtico, uma à direita e outra à esquerda da porta de entrada das casas, ou seja, a mesma função de informar ao visitante que ali mora um maçom, que certamente daria todo o apoio necessário. 

Através dessa simbologia, o iniciado poderia até saber o grau do maçom de cada residência. Mas a simbologia está muito mais presente em Paraty do que podemos imaginar. Outro exemplo típico é a proporção dos vãos entre as janelas, em que o segundo espaço é o dobro do primeiro, e o terceiro é a soma dos dois anteriores; isto é, A+B=C, ou seja, a soma das partes é igual ao todo, que se resume no retângulo áureo de concepção maçônica. 

Até as plantas das casas, feitas na escala 1:33.33, têm a marca da simbologia dos maçons, desta vez da Ordem Filosófica, cujo grau máximo é o de nº 33. Este número é uma referência muito forte. Paraty possui 33 quarteirões e, na administração municipal da época, existia o cargo de Fiscal de Quarteirão, exercido por 33 fiscais. 

No Oriente de Paraty existe apenas uma Loja Maçônica, fundada em 1983 e filiada à Grande Loja ARLS "União e Beleza nº 88", que tem como Mestre o Irmão Carlos Alberto da Silva Pinheiro, empresário paratiense. A União e Beleza é bem atuante e realiza um eficiente trabalho social e comunitário. Segundo Carlos Alberto, a antiga Loja Maçônica União e Beleza foi fundada no início do ano de 1700 e, posteriormente, filiou-se ao Grande Oriente Brasil. Consta que essa loja era muito forte, mas não existem registros acerca da sua atuação de fato.

 

Leia também:

Passeio legal para fazer perto de Paraty, O Lavandário de Cunha

Ana Cassiano

Morei na Alemanha por 8 anos. Já visitei vários países de continentes diferentes. Sou Guia de Turismo em São Paulo, Escritora de Viagens e Colaboradora de Sites de Turismo.